A RESERVA SERRA BONITA

A Reserva Serra Bonita é uma pioneira e inovadora iniciativa privada de conservação de florestas submontanas na região sul da Bahia. Almeja proteger a Mata Atlântica brasileira. É um "condomínio" de propriedades rurais de vários proprietários, contendo várias RPPNs, que conjuntamente formam 2.500 ha - a segunda maior área privada protegida do Corredor Central da Mata Atlântica.

As RPPNs contidas em cada propriedade são geridas pelo Instituto Uiraçu, por meio de acordos com os proprietários. Além de gerir essas RPPNs, o Instituto tem por objetivo expandir a proteção à totalidade da Serra Bonita, um dos últimos remanescentes de floresta submontana na região, que cobre uma área de cerca de 7.500 hectares, nos municípios de Camacan e Pau Brasil, Bahia.


Localização e como chegar

A Reserva Serra Bonita fica no município de Camacan, na região cacaueira, sul da Bahia, a 80 km de Itabuna, 135 km de Ilhéus e 235 km de Porto Seguro. O ramal de acesso à Reserva fica à altura do km 10 da estrada Camacan-Jacareci; nesta entrada, da Estrada das Torres, são mais 6 km estrada acima. Veja o mapa ao lado (clique para ampliar). É importante observar que, a partir de Camacan, o acesso à Reserva deve ser feito por veículos 4x4, um vez que outros tipos de veículos normalmente não suportam a subida, sofrem danos e estão sujeitos a reboque.


Clima e características

A Serra Bonita possui um habitat único com importantes gradientes de altitude de Mata Atlântica nativa (200m a 950m acima do nível do mar). Nítidas variações de umidade e temperatura são encontradas na vegetação, que alterna de uma mata de sempre-vivas a elementos de mata úmida semi-decidual de elevações mais baixas a mata úmida de altitude.

Ainda bem conservada, cerca de 50% da área é coberta por floresta primitiva de extrema importância. O restante da área é um mosaico de florestas em diferentes estágios de sucessão, com amplas matas secundárias em avançados estágios de recuperação, intercaladas com cabrucas e pequenos pastos. As matas da Serra Bonita protegem inúmeras nascentes que abastecem de água limpa os habitantes de Camacan e Pau Brasil.

As matas do sul da Bahia constituem uma área de prioridade para a conservação, no Corredor Central de Biodiversidade da Mata Atlântica, pois contém alguns dos mais altos índices de endemismo do mundo. Inúmeras espécies estão ameaçadas e em necessidade urgente de proteção.Nos anos 1990, o Jardim Botânico de Nova York identificou um recorde de 458 espécies arbóreas em um único hectare de mata (uma área do tamanho de um campo de futebol) nessa região.

Na região da Serra Bonita, o clima predo-minante é úmido e chuvoso a maior parte do ano, com um período de estiagem e chuva ocasional ntre os meses de outubro a março.

As temperaturas costumam variar entre 10 e 32 graus Celsius, conforme a altitude e a época do ano (junho, mais frio, dezembro mais quente).


Ameaças e conservação

O subterritório de Camacan inclui os municípios de Jussari, Arataca, Camacan, Pau Brasil, Mascote e Santa Luzia e tem uma população de cerca de 94.500, dos quais 68% vivem em áreas rurais. A base econômica da região é a agricultura, que por muitos anos foi dominada pela produção de cacau, sob um sistema chamado "cabruca" onde as árvores de cacau são plantadas sob o dossel da floresta original. Desta forma, esta lavoura tem menos impacto sobre a biodiversidade e, embora a roçagem do cacau eliminasse boa parte da vegetação mais baixa, as árvores de grande porte, como o jequitibá, o vinhático, o jacarandá e o pau-brasil, hoje em extinção, sobreviveram na região cacaueira.

Durante o auge do comércio do cacau, esta região era um grande produtor mundial desse fruto. Porém, Nos anos 1980, uma queda acentuada do preço no mercado internacional e o aparecimento da doença vassoura-de-bruxa, que devastou plantações de cacau, levou a uma grave crise económica em toda a região.

Isso resultou num aumento acentuado na pobreza, devido ao desem-prego em massa causado pela recessão econômica, o que causou um grave impacto sobre a biodiversidade da região. Aumentaram a caça, o tráfico de espécies ameaçadas de flora e fauna, a substituição de vastas áreas de cabruca por plantações de cacau mais intensivas, a introdução de espécies exóticas e outras ameaças.

A crise levou, finalmente, à expansão da exploração madeireira ilegal e à significativa aceleração no desmatamento, com a substituição do cacau por outros usos da terra, como o café sombreado, pastagens e, mais recentemente, as plantações de eucalipto.

A Reserva Serra Bonita, nesse contexto, é uma contribuição fundamental para a preservação da Mata Atlântica, por meio da proteção integral de um dos últimos remanescentes de floresta submontana úmida no Corredor Central de da Mata Atlântica, e suas espécies ameaçadas, raras e endêmicas.


Biodiversidade

Os estudos e levantamentos de fauna e flora da Reserva Serra Bonita são conduzidos por universidades e organizações de pesquisa, em parceria com o Instituto Uiraçu. Seu objetivo é conhecer, de forma a proteger, o bioma e seus ecossistemas.

Até 2015, mais de 50 projetos de pesquisas foram concluídos ou estão em andamento na Reserva Serra Bonita. Vinte espécies novas de flora e fauna foram identificadas, e 27 espécies de aves ameaçadas de extinção foram registradas. Muitas outras espécies em extinção, ainda não listadas, ainda existem na Serra Bonita.

A meta é tornar a Reserva Serra Bonita uma referência internacional em pesquisas sobre a Mata Atlântica, um campus avançado de universidades de todo o mundo, e um local em excelência para a observação de aves e megafauna.